quarta-feira, 26 de março de 2008

Post 27: Rotina letrada de uma Póvoa.

Pegando o gancho do post sobre rotina do Guilherme:


Os dias naquela faculdade de Letras são realmente pitorescos e encantadores.

Às segundas, lapidar a alma e o cérebro com Constança Hertz e suas comparações magistrais entre história, arte e literatura e aplaudir de pé a experiência e a docilidade latina da Cecília Araújo.

Às terças, acordar ao som imaginário de “La vie em rose”, piafiana, para encontrar a azulidade preciosa da Juliana Novo e absorver, agradavelmente, – sim, lingüística tornou-se algo suportável pra mim – a docilidade ocular de Chomsky e apreender a classe e inteligência sublimes da Ana Alencar durante 4 tempos.

Às quartas, tentar não se desesperar com Silvia Rodrigues. Esse é o lema do Português 3: “Laissez-faire, Laissez-passet, le monde va de lui même.” Acho que só sendo muito iluminista pra tentar não se impacientar com tal suplício. O que alivia é a amabilidade e simpatia da Silvia. Caso contrário, seriam encontrados vários corpos no vão do terceiro andar do bloco H.

Às quintas, novamente ouço imaginariamente Edith Piaf me acordando: a claridade acompanhando o giz na H-212.

Às sextas, a minha paixãozinha de cada dia: Grego. Absolutamente sem adjetivos existentes nos princípios da Língua Portuguesa para caracterizá-lo.

Aulas à parte, O CORREDOR. É um tal de sincretismo, samba-do-crioulo-doido. Encontra-se latinistas, literatos, lingüistas, estudantes de hebraico, árabe, inglês, alemão e blablabla. Danielle Corpas tomando café e fumando seu cigarrinho, Eleonora Ziller com cara de quem já tá preparada pra revolução, Alberto Pucheu e seu inseparável Caio Meira com cara de quem tá esperando Platão reencarnar, Dinah Callou com aquela expressão blasé de “humpf! Quem são vocês, meros graduandos inúteis?”, Maluh Guimarães sendo alvo dos paparazzi, enfim, a Letras.

Guilherme sendo odiado, eu sendo sei-lá-o-quê, adorável Martina com cara de “ahn? Onde estou?”, Maline filosofando maravilhosamente, e Juliana com raiva de uma certa latinista cruel (assino embaixo).

Ah! E como poderia esquecer de CC? Aquela que transformou o primeiro período em uma incógnita, em um desespero coletivo.

Mas o que mais dá cor àquela faculdade é o pão-de-queijo com cafezinho pingado. Fato consumado. E, é claro, a fumaça nicotinada da minha estimada Danielle Corpas. Eterna. Diva. Literata.