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domingo, 13 de abril de 2008

Post 33: Sobre Bette Davis

A filmografia de Bette Davis percorre todas as possibilidades de estilos cinematográficos hollywoodianos. De magníficos dramas como “Vitória Amarga”, perpassando textos clássicos como “Dama por um Dia”, a filmes de grandiosidade imensurável para o cinema americano e mundial (“A Malvada”, “Baby Jane”, “Jezebel”, só pra citar alguns).

Ao contrário de grande parte das estrelas da época, venceu majoritariamente pelo talento (já que a beleza, comparada a outras atrizes, lhe faltava); não foi Scarlett O’Hara, mas foi a genial Margo Channing. Papel fundamental também teve na relação entre os estúdios e os artistas: não se prendeu a contratos que levavam freqüentemente ao fim da carreira. Sua independência a libertava da obrigatoriedade de atuar em filmes determinados pelos estúdios (que eu saiba só Garbo tinha suas decisões acatadas... e olhe lá) e permitia a escolha de papéis com o qual mais se identificasse.

Quando ninguém mais a queria, a coragem lhe fez oferecer seus serviços em um anúncio de jornal. O mesmo sentimento foi combustível que a levou a contracenar em “Baleias de Agosto”, pouco antes de sua morte. Não escondia seus desafetos (Joan Crawford e Faye Dunaway, por exemplo), nem a vontade de ter ganhado, segundo ela, “pelo menos mais três Oscar”, além dos dois que já tinha.

De uma carreira de mais de 60 anos, milhares de fãs, uma música em sua homenagem, filmes que abarcam uma variedade imensa de assuntos e uma personalidade tão forte que ainda é possível ouvir seu ressoar. E no centenário do seu nascimento, uma infinidade de matérias e crônicas vem saudar aquela que talvez seja a maior atriz de todos os tempos (eu disse “talvez”). Nada mais merecido.

A adúltera, a assassina, a mendiga, a estrela de cinema esquecida, a mãe cruel... O melhor papel de Ruth Elizabeth Davis foi, definitivamente, o de Bette Davis. Durante 82 anos.

Obs.: mais filmes dela precisam ser lançados em DVD.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Post 20: Sobre o Oscar e outros prêmios.

Alongando-me um pouco mais no assunto Oscar... Vou me ater nos prêmios de interpretação... há um bom tempo a Academia não é tão justa. Dizem que com a greve dos roteiristas, os votantes conseguiram, de fato, assistir aos filmes indicados.

Melhor ator foi barbada total: Daniel Day-Lewis é um dos melhores atores da atualidade e as interpretações dos seus concorrentes não chegam aos pés da dele (aliás, já devia ter outro por "Gangues de Nova York"). Só senti falta do Ryan Gosling, por "Lars and the Real Girl", entre os indicados. Barbada semelhante na categoria dos coadjuvantes: Javier ganhou, como esperado (também já devia ter um na estante, por "Antes do Anoitecer"). Uniu-se, nos dois casos, a vontade da Academia de se "desculpar" por um erro anterior e duas ótimas interpretações. Coincidência talvez.

A melhor atriz também foi premiada. E eu duvidei muito disso. Dava uma mão pela vitória da Julie Christie... veterana que volta em grande estilo ao cinema? Eles adoram. E ela já havia ganhado o Globo de Ouro e o SAG. Mas Marion mereceu. Em relação a categoria mais disputada do ano, atriz coadjuvante, TODAS as interpretações eram dignas de prêmio. E deu Tilda. "Barbada". Explicação: os votos se dividiram entre Cate Blanchett e Ruby Dee. Tilda correu por fora e cresceu nas últimas semanas ao ganhar o BAFTA. Eu cantei a bola... e acertei.

Discordo dos que defendem a não-validade de um prêmio como o da Academia. Sendo um prêmio americano, a tendência é que filmes/atores/produções americanos(as)/ingleses(as) vençam. Óbvio que existem falhas na história da premiação ("Rocky", Halle Berry, Martin Scorcese ganhando pelo filme errado, etc), mas o valor de um homenzinho dourado é de extrema importância na indústria hollywoodiana. Eles vão deixar de premiar Gwyneth Paltrow? Claro que não. E por quê? Ela precisa dele mais do que a Fernanda Montenegro, mesmo que não tenha o melhor desempenho. Ela vai ser responsável pela renovação do cinema americano. Como, com certeza, Kate Winslet e Julianne Moore ganharão um dia e Meryl Streep ganhará outro... Eles apostam, homenageiam e investem.

Em relação ao festival de Berlim e "Tropa de Elite": nada a se comemorar. A exaltação do filme seguiu a tendência do festival de premiar obras não-conhecidas. Tão político quanto o Oscar.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Post 17: Sobre filmes (II)


Norma Rae (Norma Rae) - 1979

Se você gostou de "Erin Brokovich", você definitivamente vai amar "Norma Rae". Além da referência as personagens principais no título de ambos os filmes, existem muitas semelhanças entre as duas películas. Até a importância das atrizes principais: Sally Field é uma espécie de Julia Roberts das cavernas (aliás, as duas estão juntas no legal "Flores de Aço").
"Norma Rae", basicamente, se calca em transmitir a mensagem de acreditar e lutar pelos seus ideais. Nada muito novo. Em que sentido o filme ganha dos outros que possuem o mesmo propósito? Ele não é piegas. O ideal buscado não se relaciona a nenhuma questão amorosa, mas sim a melhorias em uma antiga tecelagem, fonte econômica de toda uma cidade.
Com a chegada de um sindicalista, Norma Rae se dispõe a ajudá-lo, deixando sua vida pessoal em segundo plano, e lutando de todas as maneiras a fim de conseguir uma condição mínima de trabalho.
E eu pago pau pra Sally Field de qualquer jeito, então... filmaço!

domingo, 6 de janeiro de 2008

Post 5: Sobre filmes (I)

Cinema é a grande paixão de um número considerável de pessoas. E é uma das minhas paixões e meu maior fascínio. Perpassa qualquer sentimento de diversão... sem explicações. Vou tentar, com alguma freqüência, comentar sobre alguns dos filmes que me fazem mais feliz (eles me fazem feliz). Vou começar por duas paixões antigas, mas reavivadas nesses últimos dias:

1. As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County) - 1995.

Basicamente: após a morte da mãe, dois irmãos descobrem, através de cartas, o caso extraconjugal entre ela e um fotógrafo.

Vivendo em uma cidade do interior de Iowa, Francesca (Meryl Streep, perfeita) é exemplo clássico de uma dona-de-casa infeliz: presa às funções domésticas, com uma família aparentemente sólida e os sonhos reprimidos. A viagem da família coincide com a chegada na cidade do fotógrafo Robert (Clint Eastwood), com quem mantém um intenso e rápido caso de amor. Amor, de verdade: conceder e querer são sentimentos igualmente antagônicos e complementares. Obviamente, se você quiser saber o final, veja o filme. Destaque para uma das últimas cenas, em que a personagem de Streep está com o marido no carro, e tem que decidir entre fugir/não fugir com o amor de sua vida.



2. Carta de uma Desconhecida (Letter from an Unknown Woman) - 1948

Antes de começar: Fontaine é uma das minhas atrizes preferidas. Quem já assistiu alguns dos seus filmes mais clássicos (“Rebecca” e “Suspeita”, por exemplo) sabe do que eu to falando. É magistral.

“Carta de uma Desconhecida” está no meu Top 10, sem dúvida (mesmo que nem eu saiba com certeza quais são meus dez preferidos). Uma carta é entregue na casa do pianista Stephan (Louis Jordan). Ela conta a história de Lisa (Joan Fontaine) e de seu intenso amor por seu então vizinho, o personagem de Jordan. Desde o breve relacionamento, até as trágicas conseqüências, todas as atitudes da jovem são movidas pela esperança de que um dia ele a reconheceria e a amaria.

O filme é um primor do começo ao fim. A música é perfeita e o mestre Ophüls mostra porque é um gênio: constrói um filme sobre acreditar sem limites, e sobre um amor tão sobre-humano que sua existência se limite apenas ao cinema.