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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Post 49: Coisas que ficaram pelo caminho.

Pensamentos rápidos e furtivos...

Perdas são tão necessárias quanto obrigatórias. Não há nada que dure eternamente (mesmo que os mais românticos e menos céticos digam o contrário); não há vitalidade nem energia suficiente que ilumine todos os cantos e esquinas; não há força que nos proteja, ou revele, e guarde tudo de bonito que porventura tenha acontecido. O bonito também morre em algum lugar.

Resguardando o que é realmente importante, as coisas tendem a ficar, inevitavelmente, pelo caminho: quando não as perdemos, elas se perdem de nós. E num delírio súbito, há a imensa vontade de congelar tudo o que é conscientemente distante, mas nos fala em algum ponto; um egoísmo medroso e desculpável – fugir da solidão normalmente leva a condutas não-perceptivéis.

Enfim, esse desabamento de idéias surgiu de um vocábulo africano (não sei muito sobre a origem dele, então... desculpe!): Sankofa.

Sankofa: nunca é tarde para voltar atrás e recolher o que ficou pelo caminho.

Seria mais fácil reclamar e se lamuriar do que perceber que é possível andar contra o vento?

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Vou aparecer mais freqüentemente!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Post 44: Hélade e Helenistas.

Em uma noite de quinta-feira, pelos passares-de-tempo de julho, Mnemosýne trouxe até mim uma das efemérides mais significativas de todos os meus dias: a primeira semana na Universidade, mais precisamente as incipientes aulas de Grego Genérico.

A professora era algo pitoresco. Segundo o dicionário, “graciosamente original”. Sua voz estridente, porém chamativa, era uma das principais atrações da classe. Eu e um amigo, Guilherme, olhamo-nos e efetuamos uma comunicação mais por telepatia do que por lexias: “essa é a voz dela mesmo ou é sacanagem?”.

Não, não era sacanagem. Estava muito longe de ser, afinal, além dela ser professora de uma disciplina aparentemente tão exótica e hermética – hermética no sentido mais stricto sensu possível, isto é, relativo ao deus Hermes, o mensageiro -, ela ainda era evangélica. Definitivamente, não era sacanagem.

Pois bem. O choque inicial: o alfabeto grego. Aquilo me lembrava algo barroco. Mas me encantava: eu queria escrever tudo, absolutamente tudo com os caracteres gregos. Nas minhas folhas vinha escrito προφεσσορα αλεσσανδρα, ao invés de διδασκάλε ἀλέχανδρα. Um desastre voltado para a minha mais nova paixão.

Passada a fase inicial de alfabetização, vieram as declinações. Eu tinha uma ligeira impressão de que aquilo tudo causava asco nos alunos, mas não entendia o porquê. Aliás, entendia sim. Mas a simpatia da professora fazia com que os empecilhos helênicos não fossem tão poderosos assim. E nada me tira da cabeça que a voz também exercia algum papel fixador de nádegas naquela sala infestada de musas, daimons, deuses e...declinações.

Um ano se passou e o Grego continuou sendo a minha efeméride das quartas e sextas. Era uma sensação elástica, de ida e volta, volta e ida. Assim como na música de Alkistis Protopsalti, “Apéranto Kenó”: “sinexia fevgo makria sou kai olo erxomai - sempre distancio-me de você e volto inteiramente”.

Em finais de 2007, Alessandra Viegas, a “didaskále mou”, apresenta-me mais duas efemérides: Fernanda Lemos de Lima e Dulci Nascimento. Foi pá-pum. Empatia súbita que se transformou em uma admiração incontrolável. Como diria Theóphile Gautier: 'admirar é amar com o cérebro'. Apoiado, apoiado. Mas deixemo-nas nessas entrelinhas plenas de verbo agapáo para que uma outra crise de abstinência não venha à tona.

Falando em abstinência, ela chegou no início de 2008, com o término do curso de Grego Genérico. Eu havia de tomar alguma providência; caso contrário, tremores, visão turva e alucinações tomariam o meu corpo.

E tomei: fui assistir a algumas aulas de Grego Específico com a professora Tatiana Ribeiro.

Inicialmente, eu era só ouvinte, receptora de seus ensinamentos singulares. Mas através da extrema seriedade acadêmica e boa-vontade da mesma, acabei sendo inscrita e comecei mais uma graduação: a de Português-Grego.

Linhas pontilhadas foram surgindo sem nem eu mesma perceber. Uma paixão veio à tona, com a tempestade das ondas, e, agora, com a calmaria da maré, o amor vem chegando mansinho, mansinho.

A paixão dura dois anos. O amor, a vida inteira. E o Grego...ah, o Grego. Que Caos, Tártaro, Gaia e Urano conservem sempre as minhas musas para que a pira não se apague.

E ela não há de se apagar.

domingo, 27 de abril de 2008

Post 41: O pedaço que não me pertence.

Um belo dia de verão, pouco antes do crepúsculo, as borboletas voavam pelo ar abafado e úmido da grande cidade. Com os pés sujos de terra, a menina-sem-nome corria pelas ruelas do vilarejo, sentindo o vento no rosto e os cabelos voando como as borboletas. Pára, e então enxerga. E então vê. E então se aproxima.

E então se vê nítida naquela superfície lisa que refletia seu eu. Era bonita. Toma consciência de si mesma. Num delírio, a menina vira mulher, e seu nome parece então ter relevância. As borboletas passam batidas e o vento é só um adendo. Outros olhares, então. Lava os pés com o melhor sabonete, as correrias cessam, o vilarejo já é pequeno demais para suas ambições.

A avó que já não enxerga há tempos, mas ainda vê, sofre calada: “A vida”, resmunga.

(Uma saudação irônica à literatura e seus espelhos e suas reflexões, a Luciana que procura mais literariedade em mim e a ONA, minha musa inspiradora para esse post).

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Post 39: ...

O blog tá indo pra um lado pessoal não esperado (e com certeza não planejado). Quase um diário... tanto da minha parte como da da Luciana. Essa necessidade retumbante de sempre se expor e buscar algum tipo de aprovação, ajuda ou sabe-se lá o quê. Bola pra frente...

Ouvindo: Chasing Pavements - Adele
Lendo: "Verão no Aquário", Lygia Fagundes Telles.
Sofrendo: o de costume.



Paciência nula até pra tentar escrever alguma coisa concreta por aqui... chega de culpar o tempo! A culpa é minha mesmo.



Aquela vontade absurda de sumir, compreende?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Post 37: Desabafo-rápido

"Ninguém venha me dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que não tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferido,
que não me quero curar,
que estou deixando de ser,
e não quero me encontrar,
que estou dentro de um navio,
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.
Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.
Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que só quis quem não me quis."


(Cecília Meireles)

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O mundo (o meu, pelo menos) anda girando em torno de preocupações acadêmicas, histórias alheias e vontades roubadas. É um buscar o que buscar incessante. Perdendo o hoje com a certeza de que o amanhã será apenas mais um dia.
Sorte que nunca é tarde para voltar atrás e recolher o que foi perdido. Salve!

Sem melancolias...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Post 36: Sobre horóscopo, acreditar e Gil.

Sol na casa 7, lua na casa 1

17/04 (hoje) às 19h23 a 20/04 às 17h57

Eis que a Lua torna-se cheia, formando uma oposição ao Sol, no eixo 1/7 do seu mapa astrológico, entre os dias 17/04 (hoje) às 19h23 e 20/04 às 17h57, Guilherme. Estes serão dias delicados, onde a palavra-chave é ajuste dos relacionamentos: quem sou eu e quem é o outro? Até que ponto eu vejo o outro como outra pessoa, até que ponto perco a objetividade e o vejo como um espelho de mim? Todos nós tendemos a projetar coisas de nossas almas sobre as outras pessoas, em maior ou menor grau, e em alguns momentos específicos. Convém, Guilherme, neste momento, você avaliar melhor se aquilo que você tanto critica ou elogia em seu próximo está realmente no outro ou se é algo seu que se encontra projetado. Este pode ser um maravilhoso momento de complementaridade, em que surge alguém com as peças que faltavam para você montar um quebra-cabeças, mas pode também ser um momento de confronto, em que dolorosamente alguém lhe enfia o dedo na ferida.

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Seria ingenuidade acreditar em uma coisa que nunca deu certo antes?

De útil mesmo, essas coisas transcendentais sempre me lembram "Esotérico" do Gilberto Gil.



(Ai, ai... )